Alguém já disse que de todas as qualidades que fazem os homens à semelhança de Deus, o perdão é a mais divina de todas. A razão é porque Deus é um Deus de perdão. No capítulo 34 versículo 6 e 7 de Êxodo encontramos as seguintes palavras:
“Passando, pois, o Senhor perante ele, clamou: O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração.” (Êx 34:6,7)
Nessa passagem Deus está falando a respeito de Seu caráter. E claramente apresentam-se duas qualidades do caráter de Deus: justiça e misericórdia. Deus é descrito nessa passagem como misericordioso, piedoso, tardio em irar-se, grande em beneficência e Aquele que perdoa a iniqüidade e a transgressão.
Precisamos esclarecer a parte b do v.7 que diz que Deus visita a iniqüidade dos sobre os filhos até a terceira e quarta geração. É muito importante lembrar que em Deuteronômio 24:16 Moisés, inspirado pelo Espírito de Deus, deixou claro que os filhos não pagam pelos pecados dos pais, nem os pais pagam pelos pecados dos filhos.
“Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos, em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.”
O que temos nessa passagem comparado com Ezequiel 18:19-32 os filhos daqueles que desobedecem a Deus sofrem o impacto dessa desobediência e esse impacto pode produzir uma segunda, terceira e até quarta geração de pessoas desobedientes a Deus. E em cada geração onde houver pessoas desobedientes a Deus elas podem sofrer a disciplina de Deus.
A intenção de Moisés ao escrever estas palavras tinha um objetivo duplo: avisar e motivar as pessoas. Motivar as pessoas a obedecerem a Deus e entender que a sua desobediência a Deus poderia custar gerações à frente.
Porém a idéia central no texto de Êxodo é que Deus é um Deus que perdoa. Em Provérbios 19:11 encontramos uma bela descrição a respeito daquele que é disposto a perdoar: “A prudência do homem faz reter a sua ira, e é glória sua o passar por cima da transgressão.” A idéia é que Deus é um Deus de perdão e a glória do homem consiste exatamente em praticar a mesma atitude que Deus pratica. Deus é um Deus perdoador, a glória do homem é perdoar a transgressão do outro ou, como verte a versão corrigida, ‘passar por cima da transgressão'. Você sabe o que é isso, alguém comete um erro com você e outros dizem: ‘você vai passar por cima disso, vai deixar assim:' Veja, a glória do homem reside justamente na habilidade de passar por cima de uma transgressão.
O pastor norte americano John Maccarthur comentando este assunto afirmou: ‘Quando o homem perdoa, ele é mais parecido com Deus.' Perdão é um dos temas que mais aparece nas Escrituras, desde Gênesis até o Apocalipse. Vejamos como exemplo a parábola do Filho Pródigo. Na história, o filho volta ao lar incerto quanto ao perdão do pai. Encontramos uma das mais belas imagens de como Deus perdoa e espera que perdoemos.
Lucas 15:10-32
“Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. E disse: Um certo homem tinha dois filhos; E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou, e não queria entrar. E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.”
Nesta passagem o pai sequer esperou o filho chegar para pedir perdão; pelo contrário, quando o pai viu o filho rebelde vindo, ele correu ao seu encontro, suas palavras não foram grosseiras. O pai passou a beijar seu filho, de fato a idéia da passagem é que o pai o beijava e beijava repetidas vezes (v.20). O que Jesus está nos dizendo é que o perdão deve ser assim: voluntário, desprendido, não relutante. Ë correr na direção de quem nos ofendeu, abraçar, colocar um anel no dedo, preparar uma comida gostosa. Assim é o jeito de Deus perdoar, assim é como Deus quer que perdoemos.
Mas entenda que quando você decidir perdoar assim, você precisa estar preparado para as reações. Note o filho mais velho. Ele não conseguia entender este perdão tão espontâneo. Ele exigia que o pai não perdoasse seu irmão.
As vozes à nossa volta, na sociedade, em nossa família, nos dirão muitas vezes: “Não perdoe! Mande de volta para os porcos!” Mas Deus perdoa tão livre e graciosamente que é exatamente assim que deveríamos perdoar.
Jesus quando ensinava Seus discípulos a orar colocou nos seguintes termos: ‘Pai perdoa as nossas transgressões assim como perdoamos os nossos devedores'. Jesus está nos dizendo algo muito sério, está nos dizendo para pedir a Deus que nos perdoe na mesma proporção que nós perdoamos. Você consegue imaginar a revolução que isso poderia trazer sobre nossas vidas? Se Deus nos perdoasse na mesma proporção em que perdoamos, teríamos uma vida abençoada?
Tiago colocou nos seguintes termos: “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” (Tiago 2:13)
Já no Sermão do Monte temos uma declaração positiva: “Bem aventurado os misericordiosos porque alcançaram misericórdia.” A pergunta que todos devemos responder é: ‘Somos misericordiosos?' Vimos em Êxodo que Deus é um Deus de misericórdia, em Provérbios que a glória do homem é passar por cima da transgressão, na parábola do Filho Pródigo que devemos perdoar na mesma proporção que Deus perdoou. Você tem alguém a quem perdoar?